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Entreportas, espreitadelas na minha terra

Entreportas, são impressões, imagens, descrições de uma cidade, de um território onde a ruralidade, os modos de viver das suas comunidades, diferenciadas a norte e sul do rio Tejo se ligam no centro de Portugal.

Entreportas, espreitadelas na minha terra

Entreportas, são impressões, imagens, descrições de uma cidade, de um território onde a ruralidade, os modos de viver das suas comunidades, diferenciadas a norte e sul do rio Tejo se ligam no centro de Portugal.

23
Set22

A cidade ...

historiasabeirario

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A cidade de costas voltadas à cidade, preenchida de quinchosos, na origem da palavra, quintais nos dias de hoje. A palavra evoluiu, os maciços de alvenaria transportam-me a um passado onde as primeiras letras tocaram levemente na minha pessoa. A partir daí alastraram, inundando-me de atrevimento, os mestres já cá não estão, as lições terminaram de uma vez por todas, após gerações em construção. A cidade de costas voltadas à cidade, no painel as cores quentes iludem a ingenuidade, aquecem a influência, negam o esclarecimento, tapam o frio do vazio. Porta aberta à história, que não deixa perecer um passado de vitalidade. Só os incautos poderão dar com um pé inadvertidamente na incapacidade da regressão, latente pelo brilho da representação do sublime. A cidade de costas voltadas à cidade, chora a morte da afabilidade.

05
Jan22

Há muito para olhar...

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 sample

Voltei ao museu, subi as escadas que nos leva ao tempo da história, e na sua sombra percorri o jardim das oliveiras. Este último a enraizar para que o equilíbrio se mantenha  no tempo que há de vir. No interior revi os objectos que narram o passado, com mais atenção ouvi o bramir das batalhas, o barulho metálico das armas, os gritos o horror perante a frontalidade da morte. A alegria dos vitoriosos o choro dos vencidos, será sempre assim. Vi as corridas em perseguição das presas que possibilitavam alimento, a religiosidade nos artefactos carregados de simbologia. Adornos que expressam a vaidade do homem desde os primeiros tempos, a representação do poder, os adereços que completam o trajar. O dourado da joalharia, a utilidade dos objectos na reunião dos mantimentos que se encontravam guardados. Marcos miliários que orientavam quem caminhava pelas estradas romanas, sempre com sentido único a Roma, onde os aguardava o sucesso. Com esta fortuna distancio-me novamente desta viagem no tempo, hei de voltar, para continuar a viajar na magia do passado que nunca acaba. Voltem também uma duas três, as vezes que forem precisas, há muito para olhar e pensar este museu.

03
Jan22

Espreito a cidade...

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Espreito a cidade que não é como aquela que nunca dorme, mas que é enorme na beleza que conta aos meus olhos. São cortes e recortes nos traços, linhas rectas, linhas curvas, trajectórias que a história construiu e que a escrita prolongou nas minhas memórias. Espio a cidade que me viu nascer, que me viu crescer, que me verá morrer, pois daqui não quero partir. Quero imprimir todos estes bocados de prazer que é contemplar a cidade que me faz acalmar, ao percorrer com andamento pausado as ruas. Sentir o silêncio, perseguir o infinito, discutir o impossível, tudo isto na calçada antiga. Imaginar a cidade deixada por quem aqui andou, falada por quem a conquistou, não me canso de caminhar, deixo-me arrastar, assim Deus quiser.

20
Dez21

Abrantes tem uma coroa...

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Abrantes tem uma coroa, não é isso que estão a pensar, o concelho não se tornou num pequeno reino. Longe disso, os abrantinos não são súbditos de ninguém, quero somente referir a jóia deste ornamento de poder. O Convento de S. Domingos, ou de outra forma, o MIAA, Museu Ibérico Arqueologia e Arte de Abrantes. A recuperação do edifício com o objectivo de ser instalado o estabelecimento à preservação dos mais diversos objectos de arte. As colecções remontam aos tempos muito antes de Cristo aos dias de hoje, trilhar este caminho da história na minha cidade é fantástico. No início quando os conflitos se resolviam por via das armas, todas de fabrico manual, continuando pelas primeiras democracias e repúblicas. Objectos de ornamentação feminina e masculina, utensílios usados no quotidiano doméstico, a religião e os seus ídolos. Terminando nas  obras de arte próximas de nós e da actualidade, sejam a pintura, a escultura, o filme e outras maneiras de expressão de arte. Uma viagem aos confins do mundo, uma viagem que terão de realizar a Abrantes para sentirem a epopeia que o homem conquistou com a faculdade de conhecer e compreender, dor, sangue e muito trabalho. Agora é necessário impulso constante para manter o estatuto que alguns dos que se dedicam exclusivamente a estes assuntos dizem ser de excelência.  Já posso escrever que os abrantinos terão de ser leais com este património depositado na sede do concelho, permanecendo sempre atentos aos dias vindouros.

18
Out21

Pousada no outeiro...

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Telhas encaixadas umas nas outras, ultrajadas pelo passar do tempo, telhados altos e baixos, desamparados das suas gentes, apoiados por alguma velhice resiliente. É preciso gente para colorir as ruelas, abrir as janelas, deixar entrar vozes, sair risos e sorrisos. Deixar as lágrimas, os prantos, cair nos recantos e cantos das ruas apertadas. Não posso mais com este quebranto, com tanta bofetada. Pousada no outeiro és namorada por quem te visita, falada entre murmúrios, escrita nos livros, coitada aos olhos dos teus filhos. 

06
Out21

Ainda estamos a tempo...

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Ruas despovoadas paredes fendidas, portas arrombadas, lar de pombos, assim estão as artérias do espaço histórico. Não perderam beleza, continuam a perpetuar a história de Abrantes, a curiosidade de as percorrer não se perdeu, elabora questões, projecta-nos para  dolorosas reflexões, das mesmas prosseguirem nestas condições. Temos que ser mais fugazes. Um ciclo se inicia na cidadania de Abrantes, ainda estamos a tempo de travar a morte dos costumes, das características dos abrantinos. 

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