São as joias da aldeia do Vale de Horta

A pequena floresta de faias, situada na beira da estrada, não tem coragem de ir no seu encalço, nasceu e cresceu no Vale de Horta. Resultado do trabalho do homem, estas árvores não vão mais além do limite da aldeia, banhada pelo sol nesta manhã de outono. O limiar das portas das casas na aldeia, são o ponto de encontro da população envelhecida com o sol. Tiram proveito da temperatura natural, aquecendo os ossos gastos pela passagem do tempo. Pelo trabalho agrícola, onde se expuseram demasiado, debaixo dos seus raios, do nascer ao pôr sol. Numa breve paragem, entrei no único café da aldeia, estava cheio, o espaço do mesmo é reduzido. Quando os clientes ultrapassam a quantidade das pessoas habituais, fica a abarrotar, quase sem lugar para beber um café. Não ficamos colocados como as faias, sempre em pé, na pequena floresta. O seu número é maior que o dos habitantes da aldeia, no outono expressam-se com cores quentes, a pouco e pouco as folhas soltam-se dos ramos, da mãe que as alimentou alguns meses. Atingem o solo planando e rodopiando silenciosamente, pela força vento, ou espontaneamente, formando uma peça tecida sem artifícios, adornando os pés das árvores. O caule prolongando, embebido pela luz solar fica prateado, chegando lá acima, os raios atingem as folhas, revestindo estas com uma camada de ouro. São as jóias da aldeia do Vale de Horta.
