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Entreportas, espreitadelas na minha terra

Entreportas, são impressões, imagens, descrições de uma cidade, de um território onde a ruralidade, os modos de viver das suas comunidades, diferenciadas a norte e sul do rio Tejo se ligam no centro de Portugal.

Entreportas, espreitadelas na minha terra

Entreportas, são impressões, imagens, descrições de uma cidade, de um território onde a ruralidade, os modos de viver das suas comunidades, diferenciadas a norte e sul do rio Tejo se ligam no centro de Portugal.

05
Fev25

As pessoas morrem, a cidade ...

historiasabeirario

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O sol é breve a escalar as paredes, nas casas velhas situadas na essência da cidade. Algumas partes não têm o previlégio de aquecerem a face, são frias, como o resto do conjunto que constituem o princípio. Estão vazias, e cheias de memórias, são páginas de histórias de quem lá passou, as aqueceu com sentimentos. O sol continuará a espreitar, audicioso ou cobarde, consoante as estações. As pessoas morrem, a cidade parte com elas.

04
Fev25

Qualquer ruído, o...

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O candeeiro espreita a Travessa do Almada com despudor, sem medo da vadiagem, como era apelidada em tempos remotos, talvez, por um conjunto de pessoas com algum parentesco, tenha por ali, ocupado algum casario, ou se tenha distinguido. A confluência, desta, com a Rua Nova, das primeiras a entregar a sua extensão às pessoas do lugar, no início. Não inibe o candeeiro, em posição elevada, sempre atento a quem por ali passa, contrastando a escuridão da noite, com a luz amarela. Protegendo o silêncio, de encontrar obstáculos. Qualquer ruído, o vento naqueles dias em que leva tudo à frente, ou espíritos inquietos pelo esvaziamento das ruas. Inúmeros acontecimentos ocorreram, debaixo do olhar vigilante do candeeiro altaneiro, continuam a acontecer, a vir à memória. Conversas dispersas ecoando de uma ponta à outra nas ruas, o som, das solas dos sapatos, das botas, a pisarem nos seixos, descobrindo, a história da cidade, o leito do rio.

 

02
Fev25

No ar pairavam rumores ...

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A manhã convidava ir passear próximo do rio Tejo, espreitar a cidade noutra perspectiva, a ascensão dos patos sobre as águas, entre as pontes centenárias, ferroviária e rodoviária. Acessos importantes entre as margens norte e sul, construídos durante o período da evolução gradual da Revolução Industrial, para transpor o rio mais extenso da Península Ibérica, para além-Tejo. Encostado ao rio, na margem sul, onde noutros tempos acostaram os barcos d`água, como eram designados, que transportavam a cortiça, o carvão, o azeite, a palha e cereais até Lisboa. Perto da Fonte dos Touros que nunca deixou de correr a água, sobressai a requalificação do passadiço, consertado, desta vez, com materiais flutuantes, com argumentos contrários ao desgaste das águas do rio. Quando estas perdem vergonha, e ultrapassam o limite da margem. No ar pairavam rumores de uma festa organizada pelo Município e a Junta de Freguesia para assinalar a obra. O serviço público estava realizado, reposto com outra segurança o corredor de acesso ao rio, para que é necessário uma festa, gastar dinheiro dos contribuintes abrantinos num evento, a celebrar 150m de uma estrutura? Passou-se de uma acção prudente para uma atitude saloia, populista, matreira politicamente, ao encontro do que aí vem para o final do ano. A política não pode ser tratada assim, a despender dinheiro público na promoção dos eleitos às próximas eleições autárquicas. Melhorar outros espaços públicos, também, por exemplo, a Rua 5 de Outubro de 1910, com asfalto precário entre os prédios que a ladeiam. Dotar a mesma de um passeio pedonal ao longo da sua sinuosidade, semelhante ao meandro do rio, criando lugares elevados para se avistar o horizonte. Os abrantinos passariam a percorre-la nos dois sentidos, em passeio, a visitar amigos, sem necessidade de utilizar o automóvel. Uma romaria ao ar livre a desfrutar um benefício pertencente dos abrantinos.

 

01
Fev25

A porta amarela ...

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A porta amarela e a parede azul do prédio na rua Grande, são o sol e o céu, alegrando a correnteza de casas que ladeiam a rua na cidade. A manhã aparentemente entorpecida. exceptuando o ressurgimento de um dia cintilante, não traz novidades. A pacatez na rua, devolve à memória de quem a espreita, a história da sua plenitude, no passado. A sua importância no lugar, na vila, na cidade.

 

23
Jan25

A cidade ergueu-se ...

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Na cidade há ruas onde a tragédia é visível, quase se pode mencionar a união ilícita entre os elaboradores de Abrantes e os seus caminhos urbanos. Provavelmente Eça de Queiroz não conseguiria escrever um romance dramático a decorrer nestas ruas, a sua inspiração morreria à nascença abafada pelos tapumes, pelas matérias fecais. Na desordenação, na insuficiência de ideias relacionadas com o enquadramento da história urbana. Pela harmonia, pela intensidade existente na escrita da rua das flores. Ainda assim há outras onde há expectativa, há ruas das flores, cheias de aromas, de rebentos lançados para as primaveras. Os insectos não ficam alheios, é nas ruas das flores que projectam ecossistemas, desenvolvem episódios intensos e curtos, semelhantes ao do Eça de Queiroz, na sua tragédia da rua das flores. Multiplicam-se uns com os outros, sem qualquer interdição na sociedade equilibrada que constroem, sempre a espreitarem as flores, escolhendo as mais saborosas para se alimentarem. A cidade ergueu-se, conseguindo tocar o céu, a saborear o horizonte a perder de vista, a matar a sede nas águas do rio Tejo.

22
Jan25

A grade não impede a ...

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Foi aposento de religiosas o espaço onde a janela permite olharmos a manhã chuvosa. O temporal continua, sem se cansar de escoar água, parece que a cidade vai abaixo, com esta queda de água precipitando-se de grande altura. Da janela, espreita-se o Rossio de Abrantes, antigo topónimo, actualmente Jardim da República. A grade não impede a liberdade de pensar, ou de escrever, o que foi noutro tempo um convento, actualmente é a Biblioteca Municipal António Botto. O Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), estabeleceu-se nos espaços  nascente e sul. Situado num planalto, sobranceiro ao rio Tejo, integrado na malha urbana, o edifício tem a sua fachada principal direccionada a poente, ao Jardim da República, contemplado da janela.

19
Jan25

A luz forte ...

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Paredes brancas, painéis onde se projectam histórias da cidade, o panorama que se observa aos pés da grande muralha poente do castelo, do núcleo antigo da cidade. A luz forte, não é mais, do que o brilho, dos óscares atribuídos às gentes de Abrantes. Continuam a percorrer as ruas apertadas, apesar da descontinuidade populacional no coração da cidade, do sangue que não flui mais, as paredes brancas continuam a ser o pano no qual a história da cidade, das suas pessoas, pode ser espreitada.

16
Jan25

A cidade perdeu ...

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A cidade perdeu a ligação com as flores que outrora fizeram com que a apelidassem de Cidade Florida. Esconde-se, talvez, pela perda da dignidade, pela desvalorização, perante os abrantinos. Foram os de Abrantes, e não os abrantinos, que desconsideraram as flores que aromatizaram Portugal de lés a lés, a tradição, a festa das flores. Estas continuam  nos jardins da cidade, do castelo, mantidas com o empenhamento dos jardineiros, cujas mãos nunca deixaram de as acarinhar. Numa relação de intimidade, entre pais e filhos, de relações amorosas, só assim as flores resistiram. As flores na cidade acompanham as estações meteorológicas, sorriem para os abrantinos, aos forasteiros, não representam uma decoração, são a alma. A cidade não pode ser  uma jarra, onde se muda a água, e se mantêm as mesmas flores.

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