Mulher na rua depois de se ter abastecido no mini-mercado na aldeia do Souto

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Telhas encaixadas umas nas outras, ultrajadas pelo passar do tempo, telhados altos e baixos, desamparados das suas gentes, apoiados por alguma velhice resiliente. É preciso gente para colorir as ruelas, abrir as janelas, deixar entrar vozes, sair risos e sorrisos. Deixar as lágrimas, os prantos, cair nos recantos e cantos das ruas apertadas. Não posso mais com este quebranto, com tanta bofetada. Pousada no outeiro és namorada por quem te visita, falada entre murmúrios, escrita nos livros, coitada aos olhos dos teus filhos.

A natureza continua a dar tudo por nós, apesar da nossa ingratidão continuar a ser do tamanho do mundo. Fui surpreendido por esta manifestação espontânea sem qualquer preparo da parte do homem, uma tela que um qualquer pintor naturalista gostaria de registrar para as gerações futuras. Esta obra nunca é a mesma, as cores alteram-se consoante as divisões do ano, ao início das manhãs, durante os dias, ao final das tardes, um ofício de tintureiro. Alheados desta beleza, andamos nós diariamente, apegados excessivamente aos nossos interesses, agindo de modo inconsciente ao planeta que nos acolhe. Permaneci imóvel a disparar, a perdurar imagens, não sei se haverá muitos mais momentos a provocar encanto.
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